Cogite...

..."O mais importante é aprender a não se perder" p.15. Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas de Robert M. Pirsig

Olhos lânguidos

segunda-feira, 1 de novembro de 2010


Hoje acordei do avesso, levantei e tentei encarar meus olhos lânguidos no espelho. Os lábios pareciam um par de lâminas; só o desejo de um ósculo outorgado já causava dor. (pra que tanto eufemismo se só desejo dizer, desejo. ?) A pele era branca como cândidas luas de outono. As veias eram "lírios - violeta", o sangue corria célere, como se de um cárcere perpétuo, sem direito à anistia. Não era indiferença à opinião alheia. O que eu sentia era um desatino egocentrico, buscando umas gotinhas de satisfação pra diferenciar o cálice do dia. (Cale-se! Não tens direito a nada! Onde estão seus tinos?). Meus pensamentos me suplicavam, afligiam e cortavam devargazinho meus supracitados desejos. E desassossegadamente dobrei as pálpebras e me imaginei furando a garganta do tempo, voltando os ponteiros e pensando o que faria se pudesse voltar atrás.

...

p.s. 2008 > cai como luva

A melhor receita que já recebi...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010


Receita contra dor de amor
(Roseana Murray)

chore um mar inteiro
com todos os seus barcos a vela
chore o céu e suas estrelas
com os seus mistérios e silêncio
chore um equilibrista caminhando
sobre a face de um poema
chore o sol e a lua
a chuva e o vento
para que uma nova semente
entre pela janela adentro

p.s.: obrigado pela dica!. =)

foto: 2008 - SP

Cuida de mim... enquanto...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Cuida De Mim O Teatro Mágico


Pra falar verdade, às vezes minto
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto
Pra dizer às vezes que às vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo
"Tanto faz" não satisfaz o que preciso
Além do mais quem busca nunca é indeciso
Eu busquei quem sou
Você pra mim mostrou
Que eu não sou sozinha nesse mundo.

Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo... Enquanto fujo...

Basta as penas que eu mesmo sinto de mim
Junto todas, crio asas, viro querubim
Sou da cor do tom, sabor e som que quiser ouvir
Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir
Quero mais, quero a paz que me prometeu
Volto atrás se voltar atrás assim como eu.

Busquei quem sou
Você pra mim mostrou
Que eu não estou sozinho nesse mundo.

Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo... Enquanto fujo...


http://www.vagalume.com.br/o-teatro-magico/cuida-de-mim.html#ixzz13TgPGv5w


Amor.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"O amor é quando a gente mora um no outro..."

Mestre Quintana

Tatuagem - Tianastácia

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Tatuagem



Seu nome está escrito no meu braço
Você é o motivo pra tudo que eu faço
É uma obsessão
Mas o meu coração so quer você

Seu nome está escrito na minha alma
Você é paz, é tudo que me acalma
É uma obsessão
Mas o meu coração so quer você

No céu, nas nuvens
No vidro do meu carro
Seu nome existe, não apaga mais
Se mundo um dia tiver um fim
Mesmo sem te ouvir
Mesmo sem te ver
O meu coração so quer você
Mesmo sem te ouvir
Mesmo sem te ver
O meu coração so quer você

Composição: Dr. Antônio Júlio
e Maurinho (Mestre dos magos)

Aniversário, por Rubem Alves

terça-feira, 31 de agosto de 2010




Desfiz 75 anos...

Minha formação filosófica impõe-me o uso preciso das palavras porque as palavras devem revelar o ser. E é assim, usando de forma precisa as palavras, comunico aos meus leitores que ontem, dia 15 de setembro, eu desfiz 75 anos... Haverá leitores que se apressarão a corrigir meu uso estranho, nunca visto, da palavra "desfazer", atribuindo-o, quem sabe, a um início do mal de Alzheimer. Todo mundo sabe que, para se anunciar um aniversário, o certo é dizer "fiz" tantos anos. No meu caso, "fiz" 75 anos... Mas o verbo "fazer" sugere algo que aumenta, um crescimento do ser, o artista e o artesão "fazem"... Mas, que ser aumenta com a passagem do tempo, esse monstro que devora os seus filhos? O que aumenta é o vazio. Esses anos que o aniversariante distraído anuncia como anos que ele fez são, precisamente, os anos que ele desfez, o tempo que já passou, que deixou de ser, os anos que o tempo devorou. Por isso acho um equívoco filosófico perguntar a alguém: "Quantos anos você tem?". O certo seria perguntar "quantos anos você não tem?". E ela responderia "não tenho 42 anos", "não tenho 28 anos". Porque esse número de anos indica precisamente os anos que ela não tem mais. Nos aniversários, então, a maneira correta de se dirigir ao aniversariante é perguntando-lhe "quantos anos você está desfazendo hoje?". Com base nessas reflexões filosóficas acho extremamente estranho e mesmo de mau gosto esse costume de o aniversariante soprar as velinhas acessas para que elas se reduzam a um pavio negro retorcido. Aí, nesse momento, todos gritam e riem de alegria e cantam o "Parabéns pra você", em louvor a essa "data querida..." Bachelard, no seu delicadíssimo livro "A Chama de uma Vela", que nunca será best-seller, nos lembra que uma vela que queima é uma metáfora da existência humana. Há alguma coisa de trágico na vela que queima: para iluminar, ela tem que morrer um pouco. Por isso ela chora, e suas lágrimas escorrem sobre o seu corpo sob a forma de estrias de cera. Uma vela que se apaga é uma vela que morre. Algumas velas se consomem todas, morrem de pé, têm de morrer porque a cera já se chorou toda. Outras morrem antes da hora - elas não queriam morrer -, mas veio o vento e a chama se foi. As velinhas acesas fincadas no bolo não querem morrer. Elas vão ser assassinadas por um sopro. O sopro que apaga as velas é o sopro que apaga a vida... Por isso não entendo os risos, as palmas e a alegria que se segue ao sopro que apaga as velas. Uma vela que se apaga é um sol que se põe, disse Bachelard. E todo pôr-do-sol é triste... Uma vela que se apaga anuncia um crepúsculo. Por isso eu prefiro um ritual diferente, ritual que é uma invocação. Eu acendo uma vela pedindo aos deuses que me dêem muitos anos a mais de vida, esses anos que se seguirão, que são o único tempo que realmente possuo... Assim fiz, acendi uma vela, meus amigos à minha volta. Que coisa boa é ter amigos, especialmente quando o crepúsculo e a noite se anunciam! Acho que a vida humana não se mede nem por batidas cardíacas nem por ondas cerebrais. Somos humanos, permanecemos humanos enquanto estiver acesa em nós a esperança da alegria. Desfeita a esperança da alegria, a vela se apaga e a vida perde o sentido.

Rubem Alves (Folha de São Paulo, 16.9.2008)

p.s.: feliz aniversário atrasado!

Tizumbiar

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Olha ali olha ali
O cara tá passando fome
E todo mundo passar por ele
Olha ali olha ali
O bêbado assaltanto uma velhinha
Coitado da velinha
Podia ser a minha ou a sua avó

Olha ali olha ali
O cara ta com o mesmo papo
E olha lá
O outro vai votar é nele
Burro quando é burro quer capim
Mesmo ruim

Garrafão tem fundo chato
Butija não tem pescoço
Pedaço de telha é caco
Banana não tem caroço
Eu vou ligar o meu ampli
Encarnar Rita Lee e Tianastácia