... Devaneios...
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Como se asas ruflassem...
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
O jogo da Amarelinha
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Tradução de Fernando de Castro Ferro.

Toco a sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto, e que por um acaso que não procuro compreender coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.
Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.
Júlio Cortázar p.s.: Tem momentos que ficarão pra sempre em nossas vidas... Tem momentos que ficarei esperando por toda uma vida... Tem momentos que valeram por toda a minha vida... E outros que ainda espero...
Mentiras sinceras
Guia de sorrisos.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
NUM3R05
Os milhares de números funcionaisQue funcionam para tudo além de nada
Pulam na minha cabeça
Se engalfinham como quem briga descalço
São decimais, romanos, gregos...
Não importa de onde vieram ou brotaram
Me confundem, me iludem,
Me incomodam como alergia ou vontade de espirrar
É como matemática, que...
Vagarosamente come cada pedacinho da sua massa cinzenta
Se alimenta, se nutre, até que
Um dia planta uma sementinha
E você fica doido.
Doido como quem sabe álgebra.
Como pode? Como pode?
Como pode letra ser número?
Coisa de gente que é doido...
pEnduLO
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
