Cogite...

..."O mais importante é aprender a não se perder" p.15. Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas de Robert M. Pirsig

...

domingo, 26 de abril de 2009

"Senhor
faz de mim

um instrumento
da tua música.

onde há silencio
que eu leve o si.

onde a dor
que eu leve o dó.

onde há uma lágrima
que eu leve o lá.

e onde há trevas
que eu leve o sol."

(Carlos Rodrigues Brandão)

CYNa

terça-feira, 14 de abril de 2009




À minha bailarina urbana...
que pela vida toda
sua cyna vai carregar...
... versejar, versejar, versejar...
Day
*****
"Quando estou num palco
Entre luzes a brilhar,
Eu me sinto um pássaro
A voar, voar, voar.
Toda bailarina pela vida vai levar
Sua doce sina de dançar, dançar, dançar..."
(A Bailarina - Toquinho)

Eros e Psiquê

sexta-feira, 10 de abril de 2009









"Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia."

(Fernando Pessoa - Eros e Psiquê)

Embornal

segunda-feira, 30 de março de 2009


Eu sou um homem comum.
Nascido de mãe preta e pai servente de pedreiro,
Oscilo entre a miserabilidade e a subserviência absoluta.
- O sol não me presenteia com sua claridade.

Logo pela manhã, enquanto outros devaneiam,
Desço a velha rua calçada com meu embornal xadrez
E a marmita que traz o alimento que me impede de morrer.
- O feijão-com-arroz é a benção do meu dia.

No barraco onde escondo minha vergonha,
A mulata triste reza pelo destino de suas crias.
Ela não tem vestidos; aprendera, logo cedo, a não ter vaidades.
- A pobreza só é bela nas telas do cinema que nunca entramos.

Meus filhos, coitados, doutrinei desde cedo
A lutar pelas migalhas que escapam a gula dos ricos.
Seus sorrisos são amarelos e raros como ouro de mina.
- Seus sonhos não têm cor nem sentido.

Eu sou um homem comum.
Nascido de mãe preta e pai servente de pedreiro,
Arrasto minha carcaça pelas madrugadas da metrópole muda.
- Almejo, um dia, ser gente.
(Roniel Oliveira)

Políticas públicas de segurança

sexta-feira, 27 de março de 2009

Nessa semana participei de uma palestra na faculdade sobre a abertura da campanha da fraternidade: "A paz é fruto da Justiça" em que, temas como a segurança pública foram levantados em um debate que participou um padre, um capitão da polícia e um Doutor em segurança pública. Enfim, alguns dados me chamaram a atenção e me levaram a refletir (como sempre) sobre a situação do nosso Brasil. (nosso?) Você sabia que, de acordo com dados colhidos entre os anos de 1990 e2005 constatou-se que a média de assassiantos por ano é de 40000? Entre os crimes cometidos, os mais frequentes são os homicídios, furtos, assaltos e os crimes de 'colarinho branco'? Sim... Crimes de corrupção pelas mãos de quem elegemos. É claro que o índice de crimes cometido pela classe baixa vai ser muito maior. As pesquisas não mostram a verdadeira face do crime. Não entra nas folhas de pesquisas os crimes do Senado e muito menos o dinheiro que financia o tráfico. Hoje em dia os maiores índices de mortalidade brasileira concentra a faixa etária que vai de 15 à 29 anos. Enfrentamos muitos problemas em relação às políticas públicas de segurança. O tema da campanha da fraternidade se encaixa perfeitamente na atualidade. Mas... é necessário acabar com a violência para se ter fraternidade, ou é necessário ter fraternidade para se acabar com a violência? Eis a questão. Educação é pilar de toda sociedade. Onde está o "Res cogitans"? Pensantes... Vamos fazer o mundo girar...
(Dayane R. Peixoto)

Xanéu nº5

sexta-feira, 20 de março de 2009











A minha TV não se conteve, atrevida,
passou a ter vida olhando pra mim
Assistindo a todos os meus segredos,
minhas parcerias, dúvidas, medos
Minha tv não obedece
Não quer mais passar novela, sonha um dia
em ser janela, não quer mais ficar no ar
Não quer papo com a antena, nem saber
se vale a pena ver de novo tudo que já vi...vi
A minha TV não se esquece nem do preço,
nem da prece que faço pra mesma funcionar
Me disse que se rende à internet, em suma,
não se submete a nada pra me informar
Não quis mais saber de festa,
não pensou em ser honesta funcionando quando precisei
A noticia que esperava consegui na madrugada
num siteflickr-blog-fotolog que acessei
A minha TV tá louca, me mandou calar a boca
e não tirar a bunda do sofá
Mas eu sou facinho de marré-de-si, se a maré subir,
eu vou me levantar
Não quero saber se acabo
nem se minha assinatura vai mudar tudo que aprendi
Triste fico seriado, um bocado magoado
sem saber o que será de mim
Ela não sap quem eu sou,
ela não fala a minha língua
Ela não sap quem eu sou,
ela não fala a minha língua
Enquanto pessoas perguntam porque,
outras pessoas perguntam porque não
Até porque não acredito no que é dito,
no que é visto,
Ter acesso é poder e o poder é a informação,
Qualquer palavra satisfaz a garota, o rapaz
E paz, quem traz, tanto faz?
O valor é temporário, o amor imaginário,
a festa e o perjúrio
O minuto de silencio
é o minuto reservado de murmúrio,
de anestesia
O sistema é nervoso e te acalma
com a programação do dia
Com a narrativa
A vida ingrata de quem acha que é noticia,
de quem acha que é momento,
Na tua tela,
Quer ensinar fazer comida uma nação
que não tem ovo na panela
Que não tem gesto,
Quem tem medo assimila
toda forma de expressão como protesto!
Num passado remoto perdi meu controle
Num passado remoto perdi meu controle
Era a vida em preto-e-branco.
Quase nunca colorida, reprisando coisas que não fiz....
Finalmente se acabando feito longa, feito curta,
que termina com final feliz
Ela não sap quem eu sou,
ela não fala a minha língua
Ela não sap quem eu sou,
ela não fala a minha língua
Eu não sei se paper-view,
ou se quem viu tudo fui eu
Eu não sei se paper-view,
ou se quem viu tudo fui eu

... Teatro Mágico. (programe-se)