Cogite...

..."O mais importante é aprender a não se perder" p.15. Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas de Robert M. Pirsig

Tatuagem - Tianastácia

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Tatuagem



Seu nome está escrito no meu braço
Você é o motivo pra tudo que eu faço
É uma obsessão
Mas o meu coração so quer você

Seu nome está escrito na minha alma
Você é paz, é tudo que me acalma
É uma obsessão
Mas o meu coração so quer você

No céu, nas nuvens
No vidro do meu carro
Seu nome existe, não apaga mais
Se mundo um dia tiver um fim
Mesmo sem te ouvir
Mesmo sem te ver
O meu coração so quer você
Mesmo sem te ouvir
Mesmo sem te ver
O meu coração so quer você

Composição: Dr. Antônio Júlio
e Maurinho (Mestre dos magos)

Aniversário, por Rubem Alves

terça-feira, 31 de agosto de 2010




Desfiz 75 anos...

Minha formação filosófica impõe-me o uso preciso das palavras porque as palavras devem revelar o ser. E é assim, usando de forma precisa as palavras, comunico aos meus leitores que ontem, dia 15 de setembro, eu desfiz 75 anos... Haverá leitores que se apressarão a corrigir meu uso estranho, nunca visto, da palavra "desfazer", atribuindo-o, quem sabe, a um início do mal de Alzheimer. Todo mundo sabe que, para se anunciar um aniversário, o certo é dizer "fiz" tantos anos. No meu caso, "fiz" 75 anos... Mas o verbo "fazer" sugere algo que aumenta, um crescimento do ser, o artista e o artesão "fazem"... Mas, que ser aumenta com a passagem do tempo, esse monstro que devora os seus filhos? O que aumenta é o vazio. Esses anos que o aniversariante distraído anuncia como anos que ele fez são, precisamente, os anos que ele desfez, o tempo que já passou, que deixou de ser, os anos que o tempo devorou. Por isso acho um equívoco filosófico perguntar a alguém: "Quantos anos você tem?". O certo seria perguntar "quantos anos você não tem?". E ela responderia "não tenho 42 anos", "não tenho 28 anos". Porque esse número de anos indica precisamente os anos que ela não tem mais. Nos aniversários, então, a maneira correta de se dirigir ao aniversariante é perguntando-lhe "quantos anos você está desfazendo hoje?". Com base nessas reflexões filosóficas acho extremamente estranho e mesmo de mau gosto esse costume de o aniversariante soprar as velinhas acessas para que elas se reduzam a um pavio negro retorcido. Aí, nesse momento, todos gritam e riem de alegria e cantam o "Parabéns pra você", em louvor a essa "data querida..." Bachelard, no seu delicadíssimo livro "A Chama de uma Vela", que nunca será best-seller, nos lembra que uma vela que queima é uma metáfora da existência humana. Há alguma coisa de trágico na vela que queima: para iluminar, ela tem que morrer um pouco. Por isso ela chora, e suas lágrimas escorrem sobre o seu corpo sob a forma de estrias de cera. Uma vela que se apaga é uma vela que morre. Algumas velas se consomem todas, morrem de pé, têm de morrer porque a cera já se chorou toda. Outras morrem antes da hora - elas não queriam morrer -, mas veio o vento e a chama se foi. As velinhas acesas fincadas no bolo não querem morrer. Elas vão ser assassinadas por um sopro. O sopro que apaga as velas é o sopro que apaga a vida... Por isso não entendo os risos, as palmas e a alegria que se segue ao sopro que apaga as velas. Uma vela que se apaga é um sol que se põe, disse Bachelard. E todo pôr-do-sol é triste... Uma vela que se apaga anuncia um crepúsculo. Por isso eu prefiro um ritual diferente, ritual que é uma invocação. Eu acendo uma vela pedindo aos deuses que me dêem muitos anos a mais de vida, esses anos que se seguirão, que são o único tempo que realmente possuo... Assim fiz, acendi uma vela, meus amigos à minha volta. Que coisa boa é ter amigos, especialmente quando o crepúsculo e a noite se anunciam! Acho que a vida humana não se mede nem por batidas cardíacas nem por ondas cerebrais. Somos humanos, permanecemos humanos enquanto estiver acesa em nós a esperança da alegria. Desfeita a esperança da alegria, a vela se apaga e a vida perde o sentido.

Rubem Alves (Folha de São Paulo, 16.9.2008)

p.s.: feliz aniversário atrasado!

Tizumbiar

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Olha ali olha ali
O cara tá passando fome
E todo mundo passar por ele
Olha ali olha ali
O bêbado assaltanto uma velhinha
Coitado da velinha
Podia ser a minha ou a sua avó

Olha ali olha ali
O cara ta com o mesmo papo
E olha lá
O outro vai votar é nele
Burro quando é burro quer capim
Mesmo ruim

Garrafão tem fundo chato
Butija não tem pescoço
Pedaço de telha é caco
Banana não tem caroço
Eu vou ligar o meu ampli
Encarnar Rita Lee e Tianastácia


Anjos do céu

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Alvares de Azevedo

Anjos do céu


I

Tenho um seio que delira
Como as tuas harmonias!
Que treme quando suspira,
Que geme como gemias!

II

Tenho músicas ardentes,
Ais do meu amor insano,
Que palpitam mais dormentes
Do que os sons do teu piano!

III

Tenho cordas argentinas
Que a noite faz acordar,
Como as nuvens peregrinas
Das gaivotas do alto mar!

IV

Como a teus dedos lindinhos
O teu piano gemeu,
Vibra-me o seio aos dedinhos
Dos anjos loiros do céu!

V

Vibra à noite do mistério,
Se o banha o frouxo luar,
Se passa teu rosto aéreo
No vaporoso sonhar!

VI

Como tremem teus dedinhos
O saudoso piano teu,
Vibram-me n'alma os anjinhos,
Os anjos loiros do céu!

Se Mate Amanhã

segunda-feira, 26 de julho de 2010


Se Mate Amanhã
(Tianastácia)

Não vejo
Não falo
Não ouço ninguém
Não quero
Não meço
Só peço um favor
Meu bem, por mim, por nós
Se mate amanhã.

Acalma espera aqui
Que logo logo eu vou quietar
Talvez brindemos algo vendo navios naufragar
Talvez seu sim vá nos salvar.

Memória


"Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão"

Salve salve Drummond

*

A borboleta pousou na minha perna... *.*

O Vazio Cego Do Medo Da Luz Do Lado Escuro

O Vazio Cego Do Medo Da Luz Do Lado Escuro
(Maurinho Nastácia)


Deitado num quarto escuro
Uma vela me é tudo
Uma luz ilumina meu rosto
Deitado num quarto escuro

As cinzas do meu vício voam
Ele se queima numa poça d'água
No meio de uma chuva ácida,
As cinzas do meu vício voam

Bem vindo à sua casa
Não me lembro da última vez
Você nunca mais voltou aqui
Bem vindo à sua casa
Vem vindo à sua casa
Outra vez